Edição 24 - 2ª quinzena - Julho, 2010
Fundação Vanzolini pode contribuir para crescimento sustentável da economia Fundação Vanzolini pode contribuir para crescimento sustentável da economia

Desde que o IBGE divulgou o crescimento do PIB brasileiro do primeiro trimestre, que alcançou a impressionante taxa de 9%, muitos especialistas começaram a alertar para a questão da volta da inflação. Mais que isso, as análises convergem para afirmar que o crescimento brasileiro nos últimos anos não é sustentável, pois esteve embasado na oferta de crédito e no aumento do consumo. O risco que se corre é o de gastos excessivos e supérfluos, em detrimento dos investimentos produtivos que visam à modernização da infraestrutura nacional, tão necessária ao aumento da produtividade.

Diante desse cenário, o professor José Joaquim Ferreira do Amaral, vice-presidente da Fundação Vanzolini, destaca que a entidade pode contribuir em muito para dar suporte ao setor produtivo brasileiro. Segundo ele, este é o momento de o país investir na capacidade produtiva, a fim de promover o crescimento sustentado da economia. Além dos investimentos em infraestrutura (principalmente em transporte, energia e comunicações), é preciso também capacitar massivamente a mão de obra, de forma a suprir a atual demanda por profissionais qualificados. É necessário ainda dar suporte ao crescimento com o conhecimento científico e tecnológico. “A Fundação Vanzolini pode atender a essas necessidades, pois conhecimento, educação e gestão fazem parte das nossas competências. Temos muito a contribuir para alavancar o desenvolvimento do setor produtivo nacional, aumentando a competitividade do país e fazendo a economia funcionar em bases sustentáveis”, explica. Leia a entrevista e saiba quais as contribuições que a Fundação Vanzolini pode oferecer para o país ser mais produtivo.

Quais são os riscos inerentes ao processo de crescimento do país, baseado no aumento do crédito e do consumo até o momento?
Na verdade, esse crescimento ocorreu em razão de uma capacidade ociosa do setor produtivo, mas que agora se esgotou. E os sinais já estão claros, pois com o crescimento da demanda, este ano, pode haver a volta da inflação. Portanto, é necessário voltar a investir no aumento da capacidade produtiva nacional e em infraestrutura, a fim de sustentar o aumento do PIB.

O que deve ser feito para promover o crescimento sustentável da economia?
Sabemos que a economia gira em torno do capital e do trabalho. Por isso, além da infraestrutura, necessária para o país e as empresas funcionarem, o crescimento deve ter como base a educação, que prepara a mão de obra para os novos desafios, e o conhecimento científico e tecnológico, que dá impulso às inovações. E neste aspecto a Fundação Vanzolini pode ajudar a dar respostas a esses desafios.

Quais são essas contribuições?
A Fundação Vanzolini tem vocação para atuar como vetor de transferência de conhecimento científico e de tecnologia, que devem embasar o crescimento, desde os produzidos pelas universidades brasileiras como estrangeiras, e em outros setores e instituições ligados ao conhecimento aplicado. Um claro exemplo disso é o Processo AQUA de Certificação Ambiental. Trouxemos um referencial internacional de sustentabilidade na construção civil e o adaptamos à realidade brasileira, com o apoio da Escola Politécnica da USP. O modelo foi criado em um país que avançou muito no tema da construção sustentável, que é a França. Tanto que foi adotado por outros países da Europa e chegou ao Brasil e já é um sucesso. Isso é apenas um exemplo da atuação da Fundação Vanzolini, capacitada para buscar as tecnologias onde elas estiverem disponíveis, fazer a análise crítica e aproveitar o que temos no país para alavancar o desenvolvimento. O guru da Qualidade, William Edwards Deming, já dizia, não é possível importar impunemente modelos estrangeiros. Isso quer dizer que não adianta trazer tecnologia de fora, se não dispomos de uma base estratégica de ponta para receber, de forma crítica, esse conhecimento e adaptá-lo às nossas necessidades. Felizmente encontramos essa base na universidade brasileira.

O que a Fundação Vanzolini pode oferecer no campo da educação?
Vejo como fundamental a educação à distância, principalmente no Brasil, país com dimensões continentais. Com esse recurso torna-se possível treinar uma grande quantidade de pessoas em um curto espaço de tempo. A GTE (Gestão de Tecnologias aplicadas à Educação), criada há mais de dez anos pela Fundação Vanzolini, tem muito a contribuir neste campo, pois abrange a educação à distância, e-learning e outros métodos de ensino. Além disso, a Fundação Vanzolini oferece inúmeros cursos de educação continuada em nível de pós-graduação, capacitação e treinamento, voltados para a Engenharia de Produção e disciplinas correlatas, que tratam de um ponto crucial para o país, a Gestão.

Por que a Gestão é importante para o país?
O país vive uma crise de Gestão. Por exemplo, temos a Copa 2014, as Olimpíadas 2016 e outros diversos projetos de infraestrutura que precisam ser tocados, bem administrados, planejados e controlados. Enfim, são empreendimentos de alta complexidade que necessitam de Gestão para alcançar os objetivos de custo compatível, prazo e qualidade. Ou seja, falta Gestão para enfrentar esses enormes desafios, que requer visão sistêmica, planejamento das etapas, revisão do planejamento e a implementação. Nesse aspecto, a Fundação Vanzolini tem a Gestão como foco principal de seus cursos de educação continuada. Além disso, trabalha com certificação de gestão em várias áreas, como a ISO 20.000 (Sistemas de Gestão de Serviços de TI), reconhecida pelo ITSMF (IT Service Management Forum), Certificação de Governança Corporativa e até Certificação de Diversidade Social, que já está em funcionamento no país.

Na verdade, o país depende de uma boa Gestão para usar a seu favor as vantagens competitivas?
Exatamente. Por isso, além de todas as questões citadas é preciso alertar também para o grande risco de utilizar os recursos do pré-sal para cobrir rombos de áreas em que falta Gestão no país. Todos agora acham que os recursos do pré-sal devem cobrir rombos, financiar previdência social e outros setores. Isso é um erro, pois esses recursos precisam ser bem administrados, em favor do desenvolvimento da economia como um todo.

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